Caril de Inhame

 Caril de Inhame dos Açores

 

 

A primeira vez que ouvi falar de inhame dos açores, andava eu na escola de hotelaria. Ouvi falar, mas não o vi. É que na altura, os meus chefes-formadores, disseram-nos que o inhame não podia ser comercializado para o continente, pois estava em vias de extinção. Eu assumi aquilo como uma verdade e tão pouco pesquisei para o confirmar. Se algum leitor dos Açores puder confirmar ou negar esta situação, fico agradecido pelo esclarecimento.

A verdade é que não foi senão largos anos mais tarde, aqui na Noruega, que tive a oportunidade de provar este produto.

O Inhame dos Açores

Taro ou Inhame-coco, é o nome comum dado à espécie Colocasia esculenta e aos cormos respectivos comestíveis.

Nesse belo arquipélago que é os Açores, este alimento é simplesmente chamado de inhame, daí também ser coninhame 1hecido em outras regiões do planeta como Inhame-dos-açores.

Variando o modo de confecção de ilha para ilha, o inhame é apresentado não só como acompanhamento nos mais variados pratos (especialmente de carne), mas também como ingrediente base em outros (muitas vezes frito, como sobremesa).

Na ilha de São Jorge, em particular nas fajãs do concelho da Calheta, o inhame foi, em tempos, tão importante na alimentação dos habitantes que estes eram conhecidos por inhameiros.

O inhame era, na altura, considerado comida de escravos e pobres e, portanto, nunca fora sujeito ao pagamento do dízimoNão foi uma surpresa lá muito agradável quando esta malta tomou conhecimento que deveriam começar a pagar.

inhame 2Além de quererem que os habitantes pagassem o dízimo, foi também imposto que os agricultores deveriam proceder ao transporte dos inhames desde os campos até ao local da recolha. Ou seja, ao contrário do dízimo cobrado pelo trigo, milho ou vinho, que era sempre cobrado no local de produção, este seria cobrado no local de entrega.

Ora carregar com os inhames no lombo, desde as fajãs até ao povoado, por caminhos de cabras, 500 ou 600 metros ao longo de falésias, para depois os entregar como dízimo, era um verdadeiro espetáculo.

À pala desta brilhante ideia, é lógico que a malta perdeu as estribeiras e houve porrada de meia noite. Morreram pessoas por causa do inhame, só para verem o que os moços gostavam da cena!

Caril de Inhame

Eu gosto de caril, como já deves ter reparado. Nunca vi receitas de caril de inhame, mas provavelmente não é algo novo, tendo em conta que na culinária, praticamente tudo já foi inventado. Além disso, apesar do inhame ser produzido um pouco por todo o mundo, a planta é, muito provavelmente, originária da Índia. E o que é que os indianos comem? Exactamente.

Ingredientes:

500 gr. de Inhame
1.5 Chávenas de Lentilhas Verdes
1 Cebola Roxa
3 Dentes de Alho
1 Pedaço de Gengibre
1 Malagueta Vermelha (das compridas)
250 ml. de Leite de Coco
250 gr. de Espinafre Congelado (ou fresco)
Erva-príncipe
Coentros (com raíz, se possível)
2 Colheres de Sopa de Cominhos moídos
1 Colher de Sopa de Açafrão-das-índias
1 Colher de Sopa de Colorau
1 Colher de Chá de Alho em pó
1 Colher de Chá de Sal
1 Colher de Chá de Erva-doce

Instrucções:

  • Pica a cebola, o alho, a malagueta, o gengibre e a erva-príncipe;
    • Se os teus coentros tiverem raízes, pica-as também;
    • Se não gostas de comida muito picante, retira as sementes da malagueta;
  • Refoga tudo num tacho bem quente;
    • Eu refoguei tudo sem gordura, tal como podes ver no vídeo, mas podes sempre utilizar um pouco de óleo de coco ou azeite, caso prefiras;
    • Já expliquei várias vezes como fazer refogados sem gordura (talvez um dia faça mesmo uma publicação sobre isto), mas basicamente utilizas uma ou duas colheres de sopa de água, em vez de gordura, como podes verificar no vídeo;

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  • Entretanto, descasca o inhame e corta-o em cubos;
    • Lavar o inhame depois de descascar é capaz de ser boa ideia, a não ser que gostes de juntar um pouco de terra suja à tua comida para obteres mais vitamina b12;
  • Quando o teu refogado estiver assim douradinho, junta os condimentos e um pouquinho de água e deixa cozinhar 1 ou 2 minutos;
  • Junta o inhame, as lentilhas e cerca de 4 chávenas de água;
    • Eu gosto de lavar bem as lentilhas antes de utilizar, pois costumam estar sempre um pouco sujas;

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  • Tapa o tacho e deixa cozer em lume brando durante cerca de 45 minutos;
    • É boa ideia mexer de vez em quando, pois, como digo sempre, o tempo de cozedura varia muito;
    • É possível que tenhas de juntar um pouco mais de água;
    • Atenção que se utilizares outro tipo de lentilhas (cor-de-laranja, por exemplo), o tempo de cozedura não vai ser igual!;
  • Quando o inhame e lentilhas estiverem cozidos, junta o espinafre e o leite de coco;

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  • Deixa levantar fervura e junta os coentros picados;
  • Serve o teu caril acompanhado de arroz basmati simples;

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Breakdown Calórico:

(1 Serviço é 1/6 da receita)

Azul = 67% Hidratos

Vermelho = 19% Gordura

Verde = 14% Proteína

Nota:

  • Os valores nutricionais não incluem arroz;
  • Esta receita faz cerca de 4 serviços completos ou 6 acompanhados de arroz;

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