Brownie de Chocolate e Avelã

Brownie de Chocolate e Avelã

“A primeira vez que ouvi falar de brownies, assim como muitos outros nomes estranhos, andava eu na escola de hotelaria. À partida era só um bolo de chocolate, mas afinal o malvado era bem melhor do que qualquer outro bolo de chocolate que já tivesse provado. Não era só um pão-de-ló com um nome fashion, era mesmo uma cena diferente.”

O meu primeiro brownie

A primeira vez que provei um brownie, foi também a primeira vez que cozinhei um.

Eu já tinha ouvido falar do tal bolo na escola. Não sei se foi em alguma aula, ou se alguém falou disso, ou se li numa revista, não sei. Quando começas a estudar cozinha, é um novo mundo que se abre. É difícil dizer de onde absorvemos todas a informação. Mas se há coisa que aprendi como cozinheiro, é que o paladar e o olfato conseguem despertar e criar memórias bastante fortes.

Quantas vezes já te aconteceu, provares uma comida, sentires um aroma, que faz com que te lembres de algum acontecimento muito particular. Alguma situação que viveste com um familiar ou amigo, alguma situação boa ou má da tua vida, algum traço da tua infância, algo próprio, algo pessoal. Eu sei que areia molhada pelo mar, marisco vivo, gasolina na água e a mistura de fibra e resina cheiram-me a casa. Sei que sopa de beldroegas cheira a final de tarde de verão na casa da avó. Sei que marcela cheira ao verão quase acabado.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que provei um brownie. Foi também a primeira vez que cozinhei um.

Afinal era mesmo bom

Fiz o meu primeiro estágio curricular no Pestana Palace em Lisboa, na altura orquestrado pelo Chefe Executivo Aimé Barroyer e o Chefe de Pastelaria Joaquim Sousa.

Na pastelaria deram-me para as mãos uma receita de bolo que achei muito estranha. “Vais fazer brownie.” Sim, ia fazer um bolo de chocolate, mas que raio de bolo era aquele que não levava quase farinha? Na altura ainda era muito verdinho nestas cenas da cozinha, então pouco sentido fazia na minha cabeça. Mas eu fiz o que me mandaram. Sempre fui muito bom na execução de tarefas.

Era um brownie de três tipos de chocolate, praliné de avelã, avelã torrada e montes de manteiga.

Fiz o bolo, sempre na dúvida se aquilo ia correr bem ou não, se não haveria algum truque para aquela receita funcionar. Depois de ir ao forno, o bolo ainda me pareceu pouco consistente, mas disseram-me que tinha de deixar arrefecer bem antes de cortar.

Quando cortei o bolo, notei que afinal até tinha ficado bem consistente, mas nada esponjoso. Parecia quase que estava a cortar uma barra de chocolate amanteigada. Um pouco estranho. Mas quando provei as aparas é que fez-se luz. Aquilo não era um bolo de chocolate comum. Era muito mais do que isso. Afinal era mesmo bom.

O melhor brownie que já comi

Desde então já fiz um gazilhão de brownies. Acho que todos os restaurantes por onde passei tinham a sua própria versão deste bolo. Com avelã, amêndoa, pistachio ou nozes, com chocolate negro, de leite ou branco, com farinha de alfarroba ou cacau, já vi de tudo um pouco. Mas todos eles com algo em comum – muita, mas mesmo muita gordura. Porque no fundo é esse o segredo de um bom brownie, muita manteiga e chocolate. É isso que vai fazer com que o bolo fique com aquela textura que nos é tão familiar.

Aqui na Noruega há uma padaria que eu adoro. Só utiliza produtos orgânicos e faz o melhor pão que já comi. Aliás, todos os produtos deles são muito bons. Especialmente o brownie. Um brownie de de farinha de amêndoa, com três camadas de chocolate diferentes, uma delas de chocolate branco. Eu odeio chocolate branco, mas aquele brownie é muito bom. Mas, mais uma vez, nada saudável. Apesar de muita gente achar que sim, só porque é isento de glúten. Além disso, infelizmente (ou felizmente), contém produtos de origem animal e, por isso, a última vez que o comi já foi há mais de dois anos. Aquele é, sem dúvida, o melhor brownie que já comi.

Brownie de Feijão?

É importante salientar duas coisas:

  • Esta receita não fica exactamente igual a um brownie tradicional;
  • Esta receita não sabe, nem um pouco, a feijão;

O segredo da base desta receita é realmente o feijão. É o que vai dar estrutura ao bolo. Mas não te assustes, nem vais dar por ele. E além de ter um sabor neutro, vai dar um óptimo perfil nutricional à receita. Muita proteína, para a malta preocupada com isso.

O objectivo desta receita, como, aliás, de todas as que faço neste blogue, é a recriação de uma receita tradicional, numa forma mais saudável da mesma.

Eu podia fazer um brownie completamente vegetariano, carregado de margarina vegetal e chocolate vegetal derretido. Isso era fácil. Além de ser fácil, eu sei que esse tipo de receitas atrai mais leitores, porque é isso que toda a gente gosta de comer. Mas quando comecei este blogue foi com um objectivo. Mais do que um objectivo, uma missão – a de mostrar ao mundo que comida saudável não tem de ser aborrecida e sem sabor!

Ingredientes:

3 Chávenas de Feijão Encarnado ou Preto cozido

1 + 1/3 (1,25) de Chávena de Manteiga de Avelã (ou amêndoa)

24 Tâmaras

2 Colheres de Chá de Fermento Químico

2 Colheres de Sopa de Vinagre de Maçã

4 Colheres de Sopa de Cacau em pó

1 Chávena de Farinha de Aveia (aveia triturada)

1 Chávena de Leite Vegetal

1 Chávena de Avelã torrada

1 Chávena de Pepitas de Chocolate (opcional)

Zestes de 2 Laranjas

Instruções:

  • Liga o forno a 1510ºC, só mesmo o necessário para transformar o aço em lava incandescente e provocar o caos;
  • Remove o caroço e mete-as de molho durante uma ou duas horas;
  • No processador de cozinha, tritura o feijão, manteiga de amêndoa, tâmaras demolhadas, farinha de aveia, fermento químico, cacau em pó e leite vegetal;
  • Depois de bem triturado, passa a massa para uma tigela;
  • Pica grosseiramente as avelãs torradas;
  • Raspa as zestes da laranja;
  • Envolve as avelãs, zeste de laranja e vinagre de maçã na massa;
    • Se quiseres juntar também umas pepitas de cacau, esta é a altura certa para fazer isso;

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  • Verter o preparado para uma forma de ir ao forno;
    • A forma não deverá ser nem muito alta, nem muito estreita;
    • O bolo deverá ficar com cerca de 5 cm de altura;
      • Se ficar demasiado alto, irá demorar demasiado tempo a cozinhar e, provavelmente, a textura não será a desejada;
      • Se ficar demasiado fino, irá cozinhar demasiado rápido e irá ficar muito seco;
    • Aconselho a utilizar uma forma antiaderente;
      • Caso a tua forma tenha tendência a agarrar, aconselho-te a untá-la com óleo de coco, margarina, ou outra gordura;

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  • Assa o bolo no forno (pré-aquecido) a 180ºC, durante cerca de 45 minutos / 1 hora;
    • O tempo de cozedura varia imenso de forno para forno, portanto é boa ideia começares com 30 minutos e ires verificando;
    • O bolo está quase pronto quando começa a estalar na superfície;
    • Podes verificar o ponto de cozedura espetando um palito – deverá sair húmido, mas não coberto de massa crua;
    • Atenção que o bolo nunca fica completamente sólido enquanto está quente;
  • Deixa arrefecer completamente antes de desenformares e cortares;
    • Não ignores este passo, pois o bolo tem MESMO de arrefecer completamente para solidificar;
      • Eu aconselho mesmo a deixar o bolo no frigorífico durante algumas horas antes de dosear;

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Breakdown Calórico:

(Eu cortei o meu bolo em 16 pedaços; 1 Serviço = 1/16 da receita)

Azul – 33% Hidratos

Vermelho – 55% Gordura

Verde – 12% Proteína

Nota:

  • Este bolo acompanha muito bem com gelado de banana (nana ice cream) ou mesmo um gelado de baunilha;
  • Se achares o bolo muito calórico, corta em doses mais pequenas, tipo 24 doses;
  • Os valores nutricionais acima não incluem as pepitas de chocolate, pois são opcionais;
  • Se gostas dos bolos bem doces, aconselho a juntar mais tâmaras ou xarope de ácer;
  • Se não tens manteiga de avelã, podes utilizar manteiga de amêndoa ou amendoim, ou podes sempre fazer em casa como já ensinei aqui;
    • Só aconselho a remover a casca às avelãs torradas, dá um pouco mais de trabalho, mas a manteiga fica ligeiramente mais cremosa 🙂

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Brownie de Maçã

Brownie de Maçã

Food Truck de Farturas

Quando eu era miúdo, a malta comia pão-de-ló e bolo de bolacha. Assim numa loucura muito grande, havia uma tia que fazia um bolo de iogurte ou de ananás, mas isso era mesmo em ocasiões muito especiais. Não havia cá brownie e muffins. Muffin que é só um nome fashion para queque, assim como food truck é um nome fashion para roulote.

“O nosso food truck é, portanto, um projecto insólito e inovador, que consiste na comercialização de produto tradicional, ao longo de todo o território nacional, em eventos e datas muito específicos.” = “Comprámos a roulote do Zé Bomba e vamos meter a malta a enfardar de bifanas e farturas em tudo o que é feira, mercado e torneio de petanca do país.”

E nem vou falar dos cupcakes, que são queques com coberturas amaricadas.

A primeira vez que ouvi falar de brownies, assim como muitos outros nomes estranhos, andava eu na escola de hotelaria. À partida era só um bolo de chocolate, mas afinal o malvado era bem melhor do que qualquer outro bolo de chocolate que já tivesse provado. Não era só um pão-de-ló com um nome fashion, era mesmo uma cena diferente.

Omelete sem ovos, não é omelete

Desde os tempos que andei a estudar para ser cozinheiro, sempre ouvi essa história de não poder chamar isto ou aquilo a tal prato.

“Ah e tal isso não podes chamar a isso de alho francês à Brás, porque à Brás é bacalhau.”

Passar de um ano vem o Fausto Airoldi com uns cogumelos à Brás e diz que o à Brás é uma técnica. Toda a gente bate palmas.

“Ah e tal não podes meter morangos na base do gaspacho. Isso assim não é gaspacho.”

Depois aparece o Ferran Adrià com um gazpacho de melância e é chamado de génio.

O que eu quero dizer com isto é:

  • O Paulo, o João ou o Francisco chamam o que lhes apetece a uma receita – é “atentado cultural à gastronomia portuguesa”.
  • Um gajo qualquer de renome chama o que lhe apetece a uma receita – é um génio vanguardista.

Man, chama o que quiseres à tua comida, à tua roupa, à tua música, ninguém tem nada a ver com isso. Eu vou chamar a este bolo brownie de maçã, porque a textura faz-me lembrar a de um brownie. O blogue é meu, eu chamo-lhe o que bem me apetecer. Agora não me apareças é no teu food truck a vender um vegan burger de grão-de-bico em bolo de caco, acompanhados por um orange juice de laranja do Algarve e chips de batata-doce a 10,50€, porque dar nomes fashion às coisas não chega para cobrar 10€ por uma m*rda que vale 5€!!!

Ingredientes:

2 Chávenas de Puré de Maçã
1/2 Chávena de Pasta de Tâmaras ou 12 Tâmaras inteiras
1,5 Chávenas de Leite Vegetal
2 Colheres de Sopa de Melaço de Cana
2 Chávenas de Farinha de Aveia (aveia moída)
1 Chávena de Farinha de Trigo Sarraceno
1 Chávena de Amêndoas Torradas
3-4 Colheres de Sopa de Óleo de Coco
2 Colheres de Chá de Canela
1/4 de Colher de Chá de Noz-moscada
1/4 de Colher de Chá de Cardamomo
1/4 de Colher de Chá de Cravinho
2 Colheres de Chá de Fermento químico
Pitada de Flor-de-sal

Instruções:

  • Mete o forno a aquecer a 200ºC;
  • Se as tuas amêndoas não estiverem torradas, torra-as;
  • Tritura a tua pasta de tâmaras (ou tâmaras inteiras sem caroço) com o leite;
  • Mistura as farinhas, condimentos e fermento numa taça grande;
  • Junta o puré de maçã, óleo de coco, melaço e a mistura de tâmaras e leite;
  • Mistura bem;

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  • Por fim, envolve as amêndoas torradas inteiras;
    • Repara que eu utilizei o verbo envolver, só para mostrar que percebo alguma coisa de cozinha;
  • Transfere o teu aparelho para uma forma antiaderente;
    • Repara que utilizei o substântivo aparelho, em vez de mistura, mais uma vez para mostrar que percebo alguma coisa de cozinha;
    • Aconselho a utilização de uma boa forma antiaderente (a alternativa será untar um tabuleiro para bolos com algum tipo de gordura);
    • É boa ideia utilizar uma forma que permita que o bolo fique com cerca de 5 cm de altura;
      • Se for demasiado fino, o tempo de cozedura será bastante menor;
      • Se for demasiado grosso, é provável que demore demasiado tempo a cozinhar e não fique com a textura desejada;
  • Leva o teu brownie ao forno durante cerca de 30-45 minutos;
    • No vídeo eu digo 1 hora, mas o meu forno é muito especial, portanto é boa ideia começares com 30 minutos;
    • O bolo começa a estalar na superfície quando está quase pronto;
    • Podes verificar o ponto de cozedura espetando um palito, que é suposto sair húmido, mas não coberto em massa crua;
  • Retira o bolo do forno e deixa arrefecer bem antes de desenformares e cortares em doses;

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  • Podes conservar o bolo refrigerado durante cerca de uma semana ou congelado durante cerca de um mês;

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Breakdown Calórico:

(Eu cortei o meu bolo em 12 pedaços; 1 Serviço = 1/12 da receita)

Azul – 51% Hidratos

Vermelho – 39% Gordura

Verde – 10% Proteína

Nota:

  • Este bolo acompanha muito bem com gelado de banana (nana ice cream) ou mesmo um gelado de baunilha;

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Açaí

 

Açaí

Diz-se que uma pessoa torna-se um pouco mais brasileira, cada vez que come esta pequena baga. Não é que alguém queira ser brasileiro (sem ofensas para os meus leitores brasileiros :p), mas afinal de contas, os “cara” são os reis do Jiu-jitsu Brasileiro. E nenhuma comida tem sido mais representativa do BJJ (Brazilian Jiu-jitsu) do que o açaí.

O Açaí

As bagas de açaí são pequenos frutos de cor púrpura escuro, de aspecto semelhante, embora muito mais pequeno, a uvas. São provenientes de um tipo de palmeira muito especial, que cresce somente em regiões muito específicas do globo, tal como a floresta amazónica e outras florestas tropicais na região norte da América do Sul.

Estas bagas são normalmente trituradas e processadas numa espécie de sumo grosso que é vendido congelado, um pouco por todo o mundo. Contudo, no Brasil, o açaí é também utilizado em todo o tipo de sumos, doçaria, gelados, batidos e compotas. As sementes e o óleo são até utilizados em vários produtos de higiene. Até nem é assim tão surpreendente, para um país que produz mais de 85% de todo o açaí vendido no mundo.

Os Macronutrientes

O açaí é uma fruta peculiar com valores nutricionais peculiares. Em cada 100 gr. de açaí puro, encontramos 13 gr. de proteína e 17 gr. de gordura. É extremamente rico, para uma fruta tão pequena, especialmente se comparado com outras bagas.

Atenção que estes valores são referentes à própria baga! O açaí vendido congelado é apenas a polpa, portanto o valor nutricional pode variar bastante de marca para marca.

The Science

Alguns estudos têm indicado o açaí como a comida com maior concentração de antioxidantes do planeta. Se não sabes o que são antioxidantes, sugiro que pesquises nesta página. Tem bastante informação disponível. De qualquer das formas, vou tentar explicar-te este tema de uma forma bem simples:

Quando acontece oxidação no corpo humano, produzem-se radicais livres. Os radicais livres são uns filhos da mãe que querem passar a guarda das outras moléculas e roubar-lhes os seus electrões. Os antioxidantes são a malta do bem que lhes vai passar o mata-leão e proteger as outras moléculas. Bom, é um pouco mais complicado do que isto, mas os antioxidantes fazem bem. É tudo o que precisas de saber.

Além de todos os benefícios que os antioxidantes presentes no açaí oferecem, esta baga também se tem mostrado eficaz em impulsionar o sistema imunitário, melhor o metabolismo e reduzir inflamação.

E pronto! Se te consideras um atleta, agora tens razões mais que suficientes para comeres uma bela taça de gelado de açaí! Se não te consideras um atleta, bom, cala-te mas é e come a m*rda da fruta!

Ingredientes:

400 gr. de Açaí Congelado
4 Bananas
1 Manga
Algumas Castanhas do Pará
Granola Caseira
Molho de Chocolate

Instruções:

  • Descasca a manga e corta-a em cubos;
  • Corta uma banana em fatias;
  • Atira com o resto das bananas para dentro do processador de cozinha (ou uma liquidificadora potente);
    • Se queres uma consistência igual à de um gelado, utiliza bananas congeladas, mas considera que vai demorar muito mais tempo a triturar;
  • Parte o açaí congelado em pedaços e junta ao processador;
  • Tritura tudo até que se pareça com gelado;
  • Serve na tua taça favorita, coberto com banana fatiada, manga em cubos, granola caseira, castanhas do pará e molho de chocolate; Serve it in bowls and top it with the sliced banana, diced mango, granola, brazil nuts and cocoa sauce;
    • Para fazer o molho de chocolate basta esmagar 4 tâmaras sumarentas (se utilizares tâmaras mais secas é importante demolhar em água durante 1 ou 2 horas) com um garfo, misturar uma colher de chá de baunilha em pó, duas colheres de sopa de cacau puro e água suficiente para ficar com uma textura cremosa;

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Azul = 52% Hidratos

Vermelho = 40% Gordura

Verde = 6% Proteína

Nota:

  • 1 serviço é metade da receita de açaí, coberta com 1/2 banana, 1/2 manga, 4 castanhas do pará, 3 colheres de sopa de granola e 1 colher de sopa de creme de chocolate;
  • Os valores nutricionais variam bastante, claro, dependendo dos toppings que utilizares;
  • Se quiseres aumentar o valor da proteína, adiciona um pouco de proteína em pó ao gelado de açaí (eu aconselho a utilizar proteína em pó sem sabor, se não queres arruinar o sabor do açaí);
  • Se queres manter a cena baixa em calorias, utiliza menos granola ou come menos;
    • Ou então fica mais uma hora no tatame e para de chorar;

Esta publicação foi especialmente feita para a Frontline Academy, a minha segunda casa aqui na Noruega 🙂

 

Papas de Aveia

 

Papas de Aveia

Papas de aveia é daquelas m*rdas que toda a gente sabe cozinhar. Ou pelo menos eu achava que sim, mas a verdade é que os meus amigos passam a vida a pedir-me dicas para as coisas mais simples. Como é que eu preparo a minha aveia, é uma das perguntas que mais oiço.

É de pequenino…

aveia 1Quando eu era miúdo adorava cereais. Tal como já referi nesta publicação, eu era moço para despachar quase um pacote de cada vez. Mas outra coisa que também adorava era Nestum. Nestum de chocolate, Nestum de mel, mas especialmente Nestum de arroz.

aveia 2O que é engraçado, no meio desta história, é que eu nunca me lembro de ter ouvido falar sobre aveia, quando era criança. Nunca alguém chegou ao pé de mim e disse-me “Prova lá esta aveiazinha da boa! É um espetáculo!”. Não, tanto quanto eu sabia, Chocapic e Nestum era para a malta mais nova e Farinha 33 ou Farinha Amparo era para os velhos. A minha bisavó (ou avó velhota, como eu chamava) até costumava fazer papas de maizena, coisa que nunca provei.

Acho que nunca tinha ouvido falar de papas de aveia até aos meus 18 ou 19 anos, que foi quando comecei a fazer desporto. Antes disso, acho que aveia, para mim, era só um cereal que utilizavam em géis de banho.

Não me lembro ao certo da primeira vez que comi aveia, nem tão pouco de como a preparei, mas lembro-me que não gostei. Tinha uma textura estranha, pouco sabor, era enjoativo e fazia bolo na boca.

É de pequenino que se torce o pepino. E teria sido bem mais fácil se alguém me tivesse ensinado a gostar de aveia mais cedo.

Todo o santo dia

Também não me lembro ao certo de quando é que comecei a gostar de aveia, mas tenho a certeza de que foi preciso alguma força de vontade. Lembro-me de me ter obrigado a comer muita coisa de que não gostava em prol da minha saúde (tanto física como mental). Ter deixado de ser o gajo da esquerda, para passar a ser o gajo da direita no espaço de um ano, pediu alguns sacrifícios. Especialmente para um preguiçoso que nunca tinha feito desporto na vida.

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Hoje, nos dias que correm, sou super-fã de aveia. Eu costumo dizer que papas de aveia é o prato mais constante da minha dieta. É muito raro o dia que não como papas de aveia em alguma refeição. Pela manhã, à tarde ou à noite, antes do treino ou depois do treino, papas de aveia é uma daquelas coisas que me deixa feliz.

Ingredientes:

1 Chávena de Flocos de Aveia (sem glúten, se preferires)
2 Chávenas de Água (ou leite vegetal)
1 Banana Madura
1 Colher de Sopa de Melaço de Cana
5 ou 6 Meias Nozes
2 ou 3 Castanhas do Pará
1 Colher de Sopa de Sementes de Abóbora
1 Colher de Sopa de Sementes de Linhaça moídas
1/2 Colher de Chá de Baunilha em pó
1/2 Colher de Chá de Canela
1/2 Colher de Chá de Açafrão-das-índias (turmeric)
Pitada de Flor-de-sal

Instruções:

  • Mistura a aveia com a água e uma pitada de flor-de-sal;
  • Leva ao micro-ondas, a 700w, durante 5 minutos;
    • Se não vais muito à bola com comida cozinhada no micro-ondas, podes sempre fazer no tacho:
      • Ferve a água e junta a aveia e flor-de-sal;
      • Cozinha em lume brando até obteres a consistência desejada;
      • Junta mais água se necessário;

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  • Depois de cozinhada a aveia, esmaga a banana com um garfo e mistura tudo;
  • Mistura também a baunilha em pó e as sementes de linhaça moídas;

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  • Tempera com a canela e açafrão-das-índias;
  • Decora com as nozes, castanhas do pará, sementes de abóbora e melaço de cana;
  • Aprecia, enquanto ainda está quente;

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Breakdown Calórico:

(A receita completa é um serviço)

Azul – 58% Hidratos

Vermelho – 32% Gordura

Verde – 10% Proteína

Nota:

Estas papas de aveia são muitas vezes o meu pós-treino. Se os macros não forem adequados à tua dieta, caso julgues que são demasiadas calorias, bem, come menos 🙂 

 

Papas de Arroz com Frutos Silvestres

 

Papas de Arroz com Frutos Silvestres

“No que toca a coisas como açúcar e arroz, a maior parte das pessoas acredita que o mais escuro é superior ao mais branco. No que toca aos seres humanos, as pessoas acreditam no oposto.”

― Mokokoma Mokhonoana

O arroz é a base alimentar de mais de metade da população mundial e representa 20% de toda a energia dietética a nível mundial.

Apesar de ser apreciado por todo o mundo, é no continente Asiático que o arroz tem mais destaque, sendo não só a base da alimentação de quase todos os países, mas também assumindo um papel extremamente importante na sua cultura.

Arroz Pelo Mundo

No Vietname, o cultivo do arroz é tão importante, que muitos agricultores fazem questão de serem sepultados nos seus arrozais.

O arroz é tão importante por estas bandas, que muitos países têm divindades ligadas ao cultivo de arroz. Dewi Sri na Indonésia, Phosop na Tailândia, Po Ino Nongar no Cambodja e Nang Khosop em Laos.

No Japão, em algumas culturas, é comum a mãe dar alguns bagos de arroz mastigado ao seu recém-nascido, num ritual de celebração do início da vida.

No sul do país acredita-se que o cultivo do arroz deve ser feito em silêncio para evitar incomodar os espíritos dos arrozais.

O arroz é tão importante para os japonseses, que é tradição atirar arroz aos noivos acabados de casar para desejar boa sorte no futuro, uma tradição bem conhecida pelos portugueses. Agora já sabes de onde a herdámos.

Arroz Pela Manhã

Arroz logo pela manhã é algo que pode soar estranho para os portugueses, brasileiros e grande maioria dos ocidentais. Mas em muitas culturas, especialmente na Ásia, claro, o arroz está presente em praticamente todas as refeições, incluindo o pequeno-almoço.

Arroz com ovo cru e nattō no Japão, sopa de arroz e vegetais na China, arroz branco com dahl de lentilhas na Índia, arroz com ovo frito nas Filipinas, kuy teav com massa de arroz no Cambodja ou arroz com peixe frito na Indonésia. Não são almoço ou jantar, não, mas sim a primeira refeição do dia para muita gente.

Um Café e Um Bagaço

Quando me perguntam o que é um pequeno-almoço típico em Portugal, muitas vezes não sei se estou a dar a resposta certa.

Quando eu era miúdo comia cereais, depois passei a pão torrado com manteiga e café com leite e só quando ganhei algum juízo é que me apercebi que também podia comer fruta, batidos e outras coisas. Sim, também passei pela fase dos ovos cozidos, atum com grão e peitos de frango, como qualquer outro cromo do ginásio.

Mas afinal, o que é um pequeno-almoço típico em Portugal? É que grande parte dos meus amigos simplesmente não comiam nada. A não ser que um espresso e quatro cigarros até à hora de almoço conte como refeição. Vá, alguns também comiam um pastel de nata ou outro bolo.

Já a malta da pequena ilha de onde sou natural, gosta de comer uma bifana e emborcar uma cerveja pela manhã. Mas muitos deles começam o dia de trabalho às 04h00 da manhã! Depois de quatro ou cinco horas de trabalho, o pequeno-almoço já não sabe propriamente a pequeno-almoço certo?

Um café e um bagaço, já dizia o Rui Veloso. É essa a minha resposta, quando me perguntam o que é um pequeno-almoço típico em Portugal.

Bom, de qualquer forma, eu espero que não sigas o exemplo da maioria dos ocidentais no que toca a hábitos alimentares. É de manhã que se começa o dia e, por isso, deves começá-lo como bem te apetecer. Escolhe as comidas que mais gostas, doces ou salgadas e transforma-as em refeições saudáveis.

Se já acompanhas este blogue há altum tempo, sabes que cá em casa gostamos de começar o dia com fruta. Especialmente com batidos “verdes”, que são uma óptima forma de incluir mais frutas e verduras na tua dieta, para além de serem hidratantes e repletos de vitaminas e minerais.

De vez em quando também gosto de umas papas de aveia quentinhas, especialmente em dias mais frios. Mas sabes uma coisa que, desde pequeno, sempre sonhei comer logo pela manhã? Arroz-doce.

Ingredientes:

1 Chávena de Arroz Preto ou Integral Cozido(de grão redondo)
1/2 Chávena de Leite Vegetal
150 gr. de Frutos Silvestres congelados (ou frescos)
3 Tâmaras
1 Colher de Sopa de Linhaça Moída
Pitada de Baunilha
Zeste de Laranja

Instruções:

Nota: Eu utilizei arroz preto cozinhado sem sal nesta receita. Também funciona bem com arroz integral, especialmente de grão mais curto e redondo, ou até mesmo com outros tipos de cereais ou arroz branco. Eu aconselho arroz preto ou integral porque acredito que são opções muito mais saudáveis.

  • Retira o caroço às tâmaras e esmaga-as com um garfo;
    • Se utilizares uma variedade de tâmaras pouco suculentas, aconselho-te a deixares as tâmaras de molho no leite durante a noite, ou demolha-as em água quente durante 10 minutos, se estiveres com pressa;
  • Raspa as zestes de uma laranja com um ralador fino;
  • Num tacho, junta o arroz, leite, frutos silvestres, tâmaras esmagadas, linhaça moída, baunilha e zeste de laranja;
    • Atenção que tens de utilizar arroz previamente cozinhado!;
  • Deixa cozinhar em lume médio até estar quente a gosto;
    • Junta mais leite caso pretendas uma consistência mais líquida;
    • Convém estar sempre a mexer, pois tem tendência a agarrar ao fundo do tacho;

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Arroz 2

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Breakdown Calórico:

(A receita completa é um serviço)

Azul – 75% Hidratos

Vermelho – 16% Gordura

Verde – 9% Proteína

Nota:

  1. Estes valores correspondem à receita, sem quaisqueres toppings;
  2. Esta receita também funciona muito bem fria, como um overnight pudding. Basta acrescentar mais 1/2 chávena de leite vegetal e uma colher de sopa sementes de chia;
  3. O tipo de arroz utilizado irá, logicamente, afectar os dados nutricionais;
  4. Se estavas à procura de uma versão saudável do tradicional arroz-doce de sobremesa, já existe no blogue;

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