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Salsichas, salchichas, cachorro-quente, coiso

Na Festa da Ilha há o bazar.
No primeiro fim-de-semana do mês de Agosto, é a festa da Ilha da Culatra, uma comemoração em honra da Nossa Senhora dos Navegantes. Entre outras brincadeiras e atracções, há o bazar. No bazar não se vende nada. Vende-se sim, vende-se lotaria. Também não sei porque é que se chama de bazar, mas é assim que se chama.
O bazar é uma barraca de madeira onde se vendem uns quadradinhos de papel enrolados de uma engraçada. Alguns papéis têm números que correspondem a variados itens, desde ganchos para o cabelo e garrafas de vinho, às coisas mais bizarras que alguém se tenha lembrado de oferecer à igreja.
Uma vez, ganhei uma lata de salsichas e uma bisnaga de mostarda. Segundo a minha memória, foi nessa tarde que comi, pela primeira vez, um cachorro-quente.

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Caril de Inhame

Na ilha de São Jorge, em particular nas fajãs do concelho da Calheta, o inhame foi, em tempos, tão importante na alimentação dos habitantes que estes eram conhecidos por inhameiros.

O inhame era, na altura, considerado comida de escravos e pobres e, portanto, nunca fora sujeito ao pagamento do dízimo. Não foi uma surpresa lá muito agradável quando esta malta tomou conhecimento que deveriam começar a pagar.

Além de quererem que os habitantes pagassem o dízimo, foi também imposto que os agricultores deveriam proceder ao transporte dos inhames desde os campos até ao local da recolha. Ou seja, ao contrário do dízimo cobrado pelo trigo, milho ou vinho, que era sempre cobrado no local de produção, este seria cobrado no local de entrega.

Ora carregar com os inhames no lombo, desde as fajãs até ao povoado, por caminhos de cabras, 500 ou 600 metros ao longo de falésias, para depois os entregar como dízimo, era um verdadeiro espetáculo.

À pala desta brilhante ideia, é lógico que a malta perdeu as estribeiras e houve porrada de meia noite. Morreram pessoas por causa do inhame, só para verem o que os moços gostavam da cena!

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Lasanha de Cogumelos e Courgette

Todos nós somos, de alguma forma, influenciados e moldados por aqueles que nos rodeiam. Contraímos hábitos, absorvermos costumes e criamos tradições. É inerente à nossa existência. É impossível aprendermos e evoluirmos sem sermos influenciados. São os nossos costumes que nos tornam humanos.
Quando era miúdo, algo que me irritava um pouco, era o facto de introduzirem pratos estrangeiros nas refeições de Natal. Eu adorava (e adoro) tradições, especialmente as que envolviam comida. Para mim Natal era caldo verde, bacalhau cozido com grão, feijoada de litão (não é leitão, é mesmo um prato de peixe tradicional da minha terra), bolo-rei e trutas de batata-doce e abóbora-chila. Nunca consegui compreender porque é que a minha tia costuma fazer lasanha no Natal, mas muita gente na minha família espera ansiosamente por esse prato.
Se acompanhas este blogue, é fácil presumir que a tradição gastronómica, especialmente no Natal, já pouco me diz.
Se lasanha, para ti, tem de ser com carne picada e queijo, então estás com azar. Eu chamo-lhe lasanha na mesma, tu podes chamar-lhe o que quiseres.

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Falafel

Eu sou um grande fã da cultura oriental. Especialmente do vocabulário. Talvez pelo vocabulário algarvio ter tanta influência árabe, talvez por eu ser um idiota, sendo a segunda a mais plausível das hipóteses.
Já referi o meu grande fascínio pelo nome tzatziki. Agora trago-vos o meu grande fascínio sobre o nome falafel. Se tzatziki soa a nome de arma mitológica do Império Otomano, falafel era, certamente, o nome de algum faraó do antigo Egipto.
“Falafel III, filho de Mehotep, herdou o trono com apenas 7 anos de idade, sucedendo o seu irmão Takelot IV.”
Note-se que isto também são tudo nomes espetaculares para jogadores de futebol.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que comi falafel – foi no Joshua’s do Forum Algarve, tinha eu uns 15 ou 16 anos, antes de ir para uma concentração de tunning.
Eu não fazia ideia o que estava a pedir. Só pedi porque tinha um nome idiota. Aliás, quase todos os pratos no Joshua’s têm nomes espetaculares, mas na altura aquilo era tudo novidade para mim. Há 15 anos atrás, no Algarve, aquilo era tudo relativamente novo. O resultado foi que acabei por comer ir comprar uma baguette ao Pans & Company. O falafel sabia a caca de pombo.

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Caril Thai de Abóbora e Grão

Num verão já bastante distante, trabalhei com o meu amigo João numa barraca de praia. Aos domingos costumavamos fazer caril de frango com amendoins, estilo tailandês. Na altura eramos mais miúdos e tinhamos a mania de que comida super picante era para verdadeiros machos.
A primeira vez que fiz caril tailandês para os meus amigos, eu e o Diogo acabámos o jantar de boxers, as meninas não passaram da primeira garfada e acabei por fazer uns bifes de frango para o Midário.
A primeira vez que fiz caril tailandês para a minha família, nem o meu pai conseguiu comer. E ele gosta da sua boa dose de piri-piri. No dia seguinte, levei o resto da comida para o café do meu tio, lá na ilha, e nenhum dos amigos do meu pai, tudo homem de barba rija, conseguiu comer.
Actualmente também prefiro a comida bem menos picante. Até a Joana prefere a comida mais picante do que eu. A meu ver, quando a comida é picante demais, perde-se o resto dos sabores.

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