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Leite de Soja

A caminho da escola eu sentia a barriga inchada, sentia-me enjoado, sentia-me mal disposto. Fazia uns barulhos estranhos com o nariz, como que a aliviar pressão pelas cavidades nasais. Não consigo explicar bem o som e nem o porquê, mas aquilo aliviava-me um pouco o mau estar. Ainda hoje me alivia.
“Já estás outra vez com esses barulhos? O que é que foi agora?” – ralhava a minha mãe comigo. Porque isto não era um episódio único ou esporádico, isto repetia-se quase todos os dias.
A minha mãe pensava que os meus enjoos matinais eram devidos ao nervosismo de ir para a escola. Eu também pensava, mas não percebia bem porquê. Eu até gostava de ir para a escola.
Fui crescendo e começando a odiar comer logo pela manhã.
Foi bem, mas bem mais tarde, já eu tinha, provavelmente, uns 17 ou 18 anos, quando eu me apercebi que afinal o problema não era o pequeno-almoço, mas o que estava no pequeno-almoço.
Fui asmático durante muitos anos e fiz um gazilhão de testes de alergias, tanto cutâneos como ao sangue. Tanto quanto sei, não tenho qualquer alergia alimentar, a medicamentos ou animais. A única alergia que tenho é ao pó doméstico. Mas a verdade é que era o leite que me arruinava as manhãs.
Pode-se dizer que sou intolerante a lactose… ou então, simplesmente, não sou um bezerro.

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Brownie 3

Brownie de Maçã

Man, chama o que quiseres à tua comida, à tua roupa, à tua música, ninguém tem nada a ver com isso. Eu vou chamar a este bolo brownie de maçã, porque a textura faz-me lembrar a de um brownie. O blogue é meu, eu chamo-lhe o que bem me apetecer. Agora não me apareças é no teu food truck a vender um vegan burger de grão-de-bico em bolo de caco, acompanhados por um orange juice de laranja do Algarve e chips de batata-doce a 10,50€, porque dar nomes fashion às coisas não chega para cobrar 10€ por uma m*rda que vale 5€!!!

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inhame caril

Caril de Inhame

Na ilha de São Jorge, em particular nas fajãs do concelho da Calheta, o inhame foi, em tempos, tão importante na alimentação dos habitantes que estes eram conhecidos por inhameiros.

O inhame era, na altura, considerado comida de escravos e pobres e, portanto, nunca fora sujeito ao pagamento do dízimo. Não foi uma surpresa lá muito agradável quando esta malta tomou conhecimento que deveriam começar a pagar.

Além de quererem que os habitantes pagassem o dízimo, foi também imposto que os agricultores deveriam proceder ao transporte dos inhames desde os campos até ao local da recolha. Ou seja, ao contrário do dízimo cobrado pelo trigo, milho ou vinho, que era sempre cobrado no local de produção, este seria cobrado no local de entrega.

Ora carregar com os inhames no lombo, desde as fajãs até ao povoado, por caminhos de cabras, 500 ou 600 metros ao longo de falésias, para depois os entregar como dízimo, era um verdadeiro espetáculo.

À pala desta brilhante ideia, é lógico que a malta perdeu as estribeiras e houve porrada de meia noite. Morreram pessoas por causa do inhame, só para verem o que os moços gostavam da cena!

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Açaí

Diz-se que uma pessoa torna-se um pouco mais brasileira, cada vez que come esta pequena baga. Não é que alguém queira ser brasileiro (sem ofensas para os meus leitores brasileiros :p), mas afinal de contas, os “cara” são os reis do Jiu-jitsu Brasileiro. E nenhuma comida tem sido mais representativa do BJJ (Brazilian Jiu-jitsu) do que o açaí.
As bagas de açaí são pequenos frutos de cor púrpura escuro, de aspecto semelhante, embora muito mais pequeno, a uvas. São provenientes de um tipo de palmeira muito especial, que cresce somente em regiões muito específicas do globo, tal como a floresta amazónica e outras florestas tropicais na região norte da América do Sul.
Estas bagas são normalmente trituradas e processadas numa espécie de sumo grosso que é vendido congelado, um pouco por todo o mundo. Contudo, no Brasil, o açaí é também utilizado em todo o tipo de sumos, doçaria, gelados, batidos e compotas. As sementes e o óleo são até utilizados em vários produtos de higiene. Até nem é assim tão surpreendente, para um país que produz mais de 85% de todo o açaí vendido no mundo.
O açaí é uma fruta peculiar com valores nutricionais peculiares. Em cada 100 gr. de açaí puro, encontramos 13 gr. de proteína e 17 gr. de gordura. É extremamente rico, para uma fruta tão pequena, especialmente se comparado com outras bagas.
Alguns estudos têm indicado o açaí como a comida com maior concentração de antioxidantes do planeta.

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Lasanha de Cogumelos e Courgette

Todos nós somos, de alguma forma, influenciados e moldados por aqueles que nos rodeiam. Contraímos hábitos, absorvermos costumes e criamos tradições. É inerente à nossa existência. É impossível aprendermos e evoluirmos sem sermos influenciados. São os nossos costumes que nos tornam humanos.
Quando era miúdo, algo que me irritava um pouco, era o facto de introduzirem pratos estrangeiros nas refeições de Natal. Eu adorava (e adoro) tradições, especialmente as que envolviam comida. Para mim Natal era caldo verde, bacalhau cozido com grão, feijoada de litão (não é leitão, é mesmo um prato de peixe tradicional da minha terra), bolo-rei e trutas de batata-doce e abóbora-chila. Nunca consegui compreender porque é que a minha tia costuma fazer lasanha no Natal, mas muita gente na minha família espera ansiosamente por esse prato.
Se acompanhas este blogue, é fácil presumir que a tradição gastronómica, especialmente no Natal, já pouco me diz.
Se lasanha, para ti, tem de ser com carne picada e queijo, então estás com azar. Eu chamo-lhe lasanha na mesma, tu podes chamar-lhe o que quiseres.

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Papas de Aveia

Não me lembro ao certo da primeira vez que comi aveia, nem tão pouco de como a preparei, mas lembro-me que não gostei. Tinha uma textura estranha, pouco sabor, era enjoativo e fazia bolo na boca.

É de pequenino que se torce o pepino. E teria sido bem mais fácil se alguém me tivesse ensinado a gostar de aveia mais cedo.

Também não me lembro ao certo de quando é que comecei a gostar de aveia, mas tenho a certeza de que foi preciso alguma força de vontade. Lembro-me de me ter obrigado a comer muita coisa de que não gostava em prol da minha saúde (tanto física como mental). Ter deixado de ser o gajo da esquerda, para passar a ser o gajo da direita no espaço de um ano, pediu alguns sacrifícios. Especialmente para um preguiçoso que nunca tinha feito desporto na vida.

Hoje, nos dias que correm, sou super-fã de aveia. Eu costumo dizer que papas de aveia é o prato mais constante da minha dieta. É muito raro o dia que não como papas de aveia em alguma refeição. Pela manhã, à tarde ou à noite, antes do treino ou depois do treino, papas de aveia é uma daquelas coisas que me deixa feliz.

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