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Caril de Inhame

Na ilha de São Jorge, em particular nas fajãs do concelho da Calheta, o inhame foi, em tempos, tão importante na alimentação dos habitantes que estes eram conhecidos por inhameiros.

O inhame era, na altura, considerado comida de escravos e pobres e, portanto, nunca fora sujeito ao pagamento do dízimo. Não foi uma surpresa lá muito agradável quando esta malta tomou conhecimento que deveriam começar a pagar.

Além de quererem que os habitantes pagassem o dízimo, foi também imposto que os agricultores deveriam proceder ao transporte dos inhames desde os campos até ao local da recolha. Ou seja, ao contrário do dízimo cobrado pelo trigo, milho ou vinho, que era sempre cobrado no local de produção, este seria cobrado no local de entrega.

Ora carregar com os inhames no lombo, desde as fajãs até ao povoado, por caminhos de cabras, 500 ou 600 metros ao longo de falésias, para depois os entregar como dízimo, era um verdadeiro espetáculo.

À pala desta brilhante ideia, é lógico que a malta perdeu as estribeiras e houve porrada de meia noite. Morreram pessoas por causa do inhame, só para verem o que os moços gostavam da cena!

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Lasanha de Cogumelos e Courgette

Todos nós somos, de alguma forma, influenciados e moldados por aqueles que nos rodeiam. Contraímos hábitos, absorvermos costumes e criamos tradições. É inerente à nossa existência. É impossível aprendermos e evoluirmos sem sermos influenciados. São os nossos costumes que nos tornam humanos.
Quando era miúdo, algo que me irritava um pouco, era o facto de introduzirem pratos estrangeiros nas refeições de Natal. Eu adorava (e adoro) tradições, especialmente as que envolviam comida. Para mim Natal era caldo verde, bacalhau cozido com grão, feijoada de litão (não é leitão, é mesmo um prato de peixe tradicional da minha terra), bolo-rei e trutas de batata-doce e abóbora-chila. Nunca consegui compreender porque é que a minha tia costuma fazer lasanha no Natal, mas muita gente na minha família espera ansiosamente por esse prato.
Se acompanhas este blogue, é fácil presumir que a tradição gastronómica, especialmente no Natal, já pouco me diz.
Se lasanha, para ti, tem de ser com carne picada e queijo, então estás com azar. Eu chamo-lhe lasanha na mesma, tu podes chamar-lhe o que quiseres.

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Arakas me Aginares – Ervilhas (Griséus) com Alcachofras

Cenas à parte, todos os meus pratos preferidos tinham um componente em comum em destaque – uma proteína animal. Sim, eu não sou vegano porque gostava menos de carne ou de peixe do que tu. E não, não sinto falta, seja lá o que isso signifique. Mas apesar de os produtos animais terem desaparecido da minha alimentação, o fascínio por certos alimentos continuou. Continuo a adorar tachadas com feijão, repolho e batata-doce, continuo a comer grão, mesmo sem bacalhau e continuo o maior fã de griséus. E as sardinhas que fiquem lá com as cenas delas.

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