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Leite de Soja

A caminho da escola eu sentia a barriga inchada, sentia-me enjoado, sentia-me mal disposto. Fazia uns barulhos estranhos com o nariz, como que a aliviar pressão pelas cavidades nasais. Não consigo explicar bem o som e nem o porquê, mas aquilo aliviava-me um pouco o mau estar. Ainda hoje me alivia.
“Já estás outra vez com esses barulhos? O que é que foi agora?” – ralhava a minha mãe comigo. Porque isto não era um episódio único ou esporádico, isto repetia-se quase todos os dias.
A minha mãe pensava que os meus enjoos matinais eram devidos ao nervosismo de ir para a escola. Eu também pensava, mas não percebia bem porquê. Eu até gostava de ir para a escola.
Fui crescendo e começando a odiar comer logo pela manhã.
Foi bem, mas bem mais tarde, já eu tinha, provavelmente, uns 17 ou 18 anos, quando eu me apercebi que afinal o problema não era o pequeno-almoço, mas o que estava no pequeno-almoço.
Fui asmático durante muitos anos e fiz um gazilhão de testes de alergias, tanto cutâneos como ao sangue. Tanto quanto sei, não tenho qualquer alergia alimentar, a medicamentos ou animais. A única alergia que tenho é ao pó doméstico. Mas a verdade é que era o leite que me arruinava as manhãs.
Pode-se dizer que sou intolerante a lactose… ou então, simplesmente, não sou um bezerro.

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falafel 5

Falafel

Eu sou um grande fã da cultura oriental. Especialmente do vocabulário. Talvez pelo vocabulário algarvio ter tanta influência árabe, talvez por eu ser um idiota, sendo a segunda a mais plausível das hipóteses.
Já referi o meu grande fascínio pelo nome tzatziki. Agora trago-vos o meu grande fascínio sobre o nome falafel. Se tzatziki soa a nome de arma mitológica do Império Otomano, falafel era, certamente, o nome de algum faraó do antigo Egipto.
“Falafel III, filho de Mehotep, herdou o trono com apenas 7 anos de idade, sucedendo o seu irmão Takelot IV.”
Note-se que isto também são tudo nomes espetaculares para jogadores de futebol.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que comi falafel – foi no Joshua’s do Forum Algarve, tinha eu uns 15 ou 16 anos, antes de ir para uma concentração de tunning.
Eu não fazia ideia o que estava a pedir. Só pedi porque tinha um nome idiota. Aliás, quase todos os pratos no Joshua’s têm nomes espetaculares, mas na altura aquilo era tudo novidade para mim. Há 15 anos atrás, no Algarve, aquilo era tudo relativamente novo. O resultado foi que acabei por comer ir comprar uma baguette ao Pans & Company. O falafel sabia a caca de pombo.

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Arroz Main

Papas de Arroz com Frutos Silvestres

Arroz logo pela manhã é algo que pode soar estranho para os portugueses, brasileiros e grande maioria dos ocidentais. Mas em muitas culturas, especialmente na Ásia, claro, o arroz está presente em praticamente todas as refeições, incluindo o pequeno-almoço.
Arroz com ovo cru e Nattō no Japão, sopa de arroz e vegetais na China, arroz branco com dahl de lentilhas na Índia, arroz com ovo frito nas Filipinas, Kuy teav com massa de arroz no Cambodja ou arroz com peixe frito na Indonésia. Não são almoço ou jantar, não, mas sim a primeira refeição do dia, para muita gente.
Quando me perguntam o que é um pequeno-almoço típico em Portugal, muitas vezes não sei se estou a dar a resposta certa.
Quando eu era miúdo comia cereais, depois passei a pão torrado com manteiga e café com leite e só quando ganhei algum juízo é que me apercebi que também podia comer fruta, batidos e outras coisas. Sim, também passei pela fase dos ovos cozidos, atum com grão e peitos de frango, como qualquer outro cromo do ginásio.
Mas afinal, o que é um pequeno-almoço típico em Portugal? É que grande parte dos meus amigos simplesmente não comiam nada. A não ser que um espresso e quatro cigarros até à hora de almoço conte como refeição. Vá, alguns também comiam um pastel de nata ou outro bolo.
Já a malta da pequena ilha de onde sou natural, gosta de comer uma bifana e emborcar uma cerveja pela manhã. Mas muitos deles começam o dia de trabalho às 04h00 da manhã! Depois de quatro ou cinco horas de trabalho, o pequeno-almoço já não sabe propriamente a pequeno-almoço certo?
Um café e um bagaço, já dizia o Rui Veloso. É essa a minha resposta, quando me perguntam o que é um pequeno-almoço típico em Portugal.

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Tzatziki 6

Tzatziki

Tzatziki. Um nome espetacular para um pepido ralado a nadar em iogurte. É que até parece que sabes cozinhar, quando apresentas tal iguaria. “Queres ir jantar lá a casa? Faço só o meu tzatziki, até te passas maluco!”. Pois é. Mas não, é mesmo só pepino ralado com iogurte.
É que tzatziki soa a uma espécie de espada lendária do Império Otomano. Algo do tipo – “Bahadir, filho de Behram, ergueu a sua mítica lâmina,Tzatziki, e soltou um rúgido que fez estremecer o califado.” Mas não, é só mesmo pepino ralado com iogurte.
Fora de brincadeiras, eu até gosto muito de tzatziki. É um óptimo complemento para muitas receitas, além de um dip fantástico para comer com pão.
Pepino é um ingrediente aborrecido e sem graça para a maioria das pessoas. E até sou obrigado a concordar. Também não sou um grande fã de pepino na sua forma mais natural, mas é um ingrediente bastante versátil. É muito saboroso e salteados estilo oriental ou em conserva, por exemplo. E, além disso, é o ingrediente principal da nossa receita de hoje. E não é todos os dias que podes chamar a algo de tzatziki.

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Pedaços de mim

Bicicleta nunca foi o meu forte. Acho que só aprendi a manobrar tal veículo quando já tinha 10 anos. Mas aprendi a nadar bem cedo. Nem me recordo quando, para dizer a verdade. Não me lembro de não saber nadar.

Não sou filho de peixe. Mas filho do mar certamente. Todos na minha família são pescadores, mariscadores, ou têm algum negócio ligado ao mar. Segundo consta na história (ou no meu primeiro album de fotografias e curiosidades), a primeira gargalhada do Paulinho foi quando o peixe escorregou das mãos da avó enquanto ela o amanhava. Cenas.

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Granola com Especiarias

Davas-me um pacote de cereais e eu era uma criança perigosa. Acho que comia sempre quase meio pacote de uma vez. Por issbox-cereal-lucky-charmso é que me tornei um puto gordinho. Havia alguns que eram praticamente proibidos lá em casa. Choco Krispies era um desastre nas minhas mãos. É que aquela m*rda desaparecia no leite quente. Perdia a “crocância” em segundos. Claro que eu voltava a meter mais. Era difícil não comer mais de meio pacote daquilo.

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