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Bolo de Maçã e Melaço

Quando fiz o meu primeiro estágio de cozinha, no Pestana Palace, em Lisboa, comecei na pastelaria.

No Pestana utilizavam uns fornos convectores enormes, em que cabiam uma espécie de carrinhos com tabuleiros lá dentro. Eu nunca tinha visto aquilo na minha vida. No meu primeiro dia de estágio, numa curva, cruzo-me com uma pasteleira, a empurrar um desses carrinhos. Cavalheiro que sou, ajudei a rapariga a manobrar o carro. O que eu não sabia é que o carro tinha acabado de sair de dentro do forno. Queimei as duas mãos.

A piscina do Pestana tinha lugar no antigo lago do palácio e, por esse motivo, chamavam ao bar da piscina de Casa do Lago. Todas as manhãs servia-se um bolo diferente no bar. Numa manhã, coube-me a mim preparar uma tarte de maçã para servir. Quando a tarte estava pronta e devidamente protegida, meti-me a caminho da Casa do Lago. A meio do caminho, escorreguei e espatifei-me no meio do chão. Eu e a tarte de maçã.

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Panquecas simples

Levei muitos anos para entender a diferença entre panquecas e crepes. Eu sei que agora panquecas são moda e todo o miúdo de 13 ou 14 anos sabe o que isso é. Mas há 16 ou 17 anos atrás, se eu pedisse panquecas para o pequeno-almoço à minha mãe, ela tinha de ir procurar a receita nas revistas TeleCulinária e provavelmente eu ia acabar por comer pão torrado e galão, de qualquer forma. Isto se eu soubesse o que eram panquecas com 13 anos, porque eu não faço ideia de quando ouvi falar disso. Com 13 anos estava mais preocupado em jogar ao espeta, que na minha terra chama-se espita e jogava-se com uma chave de fendas enferrujada, que também era útil para ameaçar os colegas e roubar-lhes o dinheiro do almoço no intervalo. Panquecas devia de ser coisa de filmes americanos.

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Chocolate 4

Coiso de Chocolate

A etimologia da palavra chicláte é desconhecida.

Actualmente, o substantivo parece ter sido substituído por chocolate, que é o nome dado ao alimento produzido através da torra e fermentação do cacau.

Quanto ao chicláte, muito pouco se sabe, mas o meu avô e a malta do tempo dele, parecem preferir essa iguaria ao actual chocolate. Chocolate deve ser coisa dos tempos modernos. De certo que no tempo do Salazar não era assim.

Apesar de ser dessa bela geração de 87, ainda não sou assim tão velho. De chicláte sei muito pouco. Nunca tive o prazer de trabalhar com essa peculiar iguaria. Mas no chocolate dou uns toques.

Por motivos morfológicos da língua portuguesa, não sabia que nome adoptar para esta receita de chocolate que vos trago hoje. Um molho? Quiçá um creme? Não sei. Portanto, decidi chamá-lo de coiso. Um coiso de chocolate.

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Compota de Mirtilos Instantânea

Compotas, geleias, doces ou marmeladas? Nunca percebeste muito bem a diferença? Não és o único. E acredita que trabalhares em cozinha, não torna as coisas mais fáceis. Além de compotas, geleias, doces e marmeladas, ainda te vão começar a falar destas coisas todas, mas com nomes franceses ou ingleses, até chegar ao ponto de uma gelée, jelly ou geleia serem tudo coisas completamente diferentes. Portanto, para simplificar as coisas, vamos chamar a esta receita de compota de mirtilos. E antes de vires para aqui chorar, lembra-te que o blogue é meu e eu chamo o que bem me apetecer à minha comida. Se eu quisesse chamar a isto de Kamehameha de Mirtilos, isto era uma Kamehameha de Mirtilos e ponto final.

Se acompanhas o Cenas Verdes nas redes sociais, sabes, com certeza, que cá em casa mantemo-nos afastados de produtos extremamente processados. Açúcares refinados e adoçantes artificiais são só alguns desses produtos.

Esta compota instantânea é algo que fazemos praticamente todas as semanas. É um dos nossos toppings preferidos para panquecas, mas também fica muito bom no pão, iogurte ou na tua taça de cereais ou fruta matinal!

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Leite de Soja

A caminho da escola eu sentia a barriga inchada, sentia-me enjoado, sentia-me mal disposto. Fazia uns barulhos estranhos com o nariz, como que a aliviar pressão pelas cavidades nasais. Não consigo explicar bem o som e nem o porquê, mas aquilo aliviava-me um pouco o mau estar. Ainda hoje me alivia.
“Já estás outra vez com esses barulhos? O que é que foi agora?” – ralhava a minha mãe comigo. Porque isto não era um episódio único ou esporádico, isto repetia-se quase todos os dias.
A minha mãe pensava que os meus enjoos matinais eram devidos ao nervosismo de ir para a escola. Eu também pensava, mas não percebia bem porquê. Eu até gostava de ir para a escola.
Fui crescendo e começando a odiar comer logo pela manhã.
Foi bem, mas bem mais tarde, já eu tinha, provavelmente, uns 17 ou 18 anos, quando eu me apercebi que afinal o problema não era o pequeno-almoço, mas o que estava no pequeno-almoço.
Fui asmático durante muitos anos e fiz um gazilhão de testes de alergias, tanto cutâneos como ao sangue. Tanto quanto sei, não tenho qualquer alergia alimentar, a medicamentos ou animais. A única alergia que tenho é ao pó doméstico. Mas a verdade é que era o leite que me arruinava as manhãs.
Pode-se dizer que sou intolerante a lactose… ou então, simplesmente, não sou um bezerro.

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