Papas de Milho

Papas de Milho

Quando eu tinha 12 ou 13 anos, a minha banda preferida era KoЯn. Não sei porque é que isto vem ao acaso, mas pareceu-me interessante começar esta publicação sobre papas de milho, com um trocadilho com a palavra inglesa corn, que significa, obviamente, milho.

Não teve piada nenhuma, eu sei. Mas é uma boa forma de ocupar espaço nas publicações, quando não estou inspirado. Além disso, é verdade.

Xarém

Um dos pratos mais característicos da minha região é, sem dúvida alguma, o xarém.

Se não és português, provavelmente nunca ouviste falar de xarém. Ou, se calhar, és português mas também nunca ouviste. Nesse caso, eu explico-te. Mas não deixes de sentir-te envergonhado por seres estúpido.

Quando eu era miúdo, eu ficava extasiado só de pensar em comer xarém. Quando o meu avô aparecia com patas-roxas em casa, eu já sabia que ia haver xarém.

Existem vários pratos de xarém, no Algarve, sendo os mais conhecidos o xarém de amêijoas ou o xarém de conquilhas, mas lá em casa, a minha avó fazia muitas vezes xarém do caldo da caldeirada de peixe.

Milho traçado

Xarém é um prato feito à base de farinha de milho – é esta a definição que irás encontrar se pesquisares na internet. Mas a minha avó insiste que o xarém faz-se com milho traçado, não é com farinha de milho.

Quando a minha avó era miúda, os ilhéus (caso sejas novo no blogue, eu sou natural da Ilha da Culatra, o pedaço de terra mais bonito deste planeta) trocavam peixe, marisco e outros animais com os agricultores de Olhão e outras localidades. Em troca recebiam batatas, couves, fruta, arroz e outros vegetais e cereais.

O milho traçado é uma moagem grossa do milho, que normalmente não é tão pouco peneirado. É um processo barato e pouco trabalhoso e por isso é habitualmente alimento dado a galinhas e outros animais.

Dizem os antigos que havia muitos animais na Ilha, não é como hoje em dia. As pessoas compravam milho traçado para dar às galinhas e aos patos, mas não eram eles os únicos a comer. É que o milho traçado era (e é) mais barato que a farinha de milho e se era bom para as galinhas, também era bom para os ilhéus.

Isto nunca ouvi da minha avó, ela só me diz que o xarém faz-se com milho traçado, não é com farinha de milho. Mas eu já ouvi estas histórias da boca de outras pessoas mais velhas. Estas histórias de os ilhéus trocarem alimento com os agricultores. O resto eu deduzo. Não é difícil.

A verdade é que o milho traçado faz um xarém tão bom ou melhor do que a farinha. MUITO melhor, na minha opinião. Mas eu sou suspeito – eu cresci a comer xarém feito com milho traçado.

Ainda hoje, a minha mãe e a minha avó vão à praça e se não houver milho traçado, não dá para fazer xarém.

Papas de Milho

Eu juro que até há uns anos atrás, eu não fazia ideia de que se comia papas de milho doces. Para mim, papas de milho era xarém! É verdade que a minha bisavó costumava comer papas de maizena com açúcar, mas eu nem sequer sabia que maizena era amido de milho, quando era pequeno.

Eu falo muitas vezes de coisas que aprendi na escola de hotelaria. É verdade que aprendi muita coisa sobre comida, simplesmente porque frequentava um curso de cozinha. Mas esta não foi a única razão. Cresci muito culturalmente, também pelo ambiente diversificado da escola. É que se até à data eu só tinha estudado em escolas frequentadas maioritariamente por alunos naturais de Olhão ou arredores, a escola de hotelaria do Algarve era completamente diferente. Havia alunos de todo o país. A grande maioria eram algarvios, é verdade, mas havia malta do norte, alentejanos, alfacinhas, gente de todo o lado, mesmo. E as diferenças culturais eram, obviamente, enormes. Aprende-se muita coisa num ambiente assim. Foi assim que descobri que papas de milho, também se comem doces.

Eu adoro papas de aveia. São parte integrante da minha dieta, quase diariamente. Também gosto de papas de quinoa, millet ou arroz, mas já há algum tempo que andava a pensar nesta receita. Não queria fazer papas de milho com farinha de milho ou milho traçado, até porque demora muito tempo a cozinhar, mas ainda assim, queria fazer algo saudável e com alimentos pouco processados.

Acho que estas papas de milho vão agradar a muita gente.

Ingredientes:

570 gr. de Milho doce cozido (enlatado)
6 Tâmaras
2 Chávenas de Leite Vegetal
2 Colheres de Sopa de Linhaça moída
1 Colher de Chá de Açafrão-das-índias
1/2 Colher de Chá de Cardamomo moído
1/2 Colher de Chá de Gengibre em pó
1/4 de Colher de Chá de Cravinho moído

Instruções:

  • Prepara-te psicologicamente para uma receita tecnicamente complicada e psicologicamente esgotante;
  • Remove o caroço às tâmaras;
  • Escorre o milho;
  • Atira com o milho, tâmaras e leite para dentro do liquidificador;
  • Tritura tudo;
  • Despeja o conteúdo num tacho;

Milho 1

  • Junta o açafrão-das-índias, cardamomo, gengibre e cravinho;
    • Se não gostas de algum dos condimentos, morre;
      • Ou então não utilizes;
  • Junta também a linhaça moída;
  • Cozinha em lume brando, sempre a mexer;
    • O milho costuma borbulhar violentamente, se não mexeres;
    • Se fores massoquista, mete a cara dentro do tacho e espera pela jorra do geysir de milho quente;
  • Quando estiver grossinho e quentinho, serve em taças, com os teus toppings preferidos;
  • Também podes deixar arrefecer e comer frio – fica com uma consistência tipo pudim;

Milho 2

Milho 3

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Milho 5

Breakdown Calórico:

(Por Porção = 1/2 da Receita)

Azul – 74% Hidratos

Vermelho – 17% Gordura

Verde – 9% Proteína


Nota:

  • Os valores da tabela nutricional correspondem a uma dose (metade da receita), sem quaisqueres toppings;


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Queque de Cenoura com Cobertura de Laranja

Queque de Cenoura com Cobertura de Laranja

Queques 0

“Queques? Mas quem é que come queques? Que coisa tão pré-histórica! A malta agora quer é muffins e cupcakes!”

A primeira vez que cozinhei muffins, foi na escola de hotelaria. Era uma receita que sim senhor, cheia de óleo e gordurosa como o caralho, como uma boa receita de muffins tradicional, daquelas que o pessoal acha que é saudável porque é um “bolo seco”. Depois de trabalhados e assados, os bolos foram retirados das formas de silicone. E diz o meu chefe de pastelaria “E aqui têm os vossos muffins.”. E digo eu “Que são exactamente iguais aos queques.”. E diz ele “Iguais aos queques? Isto são muffins! Não têm nada a ver com queques!”. E eu a pensar “Se não fosses meu professor, enfiava-te era já um queque à cabeçada pela goela abaixo.”

Se tu vives em Portugal,

Muffin é só um nome ainda mais snob para queque!

Vamos lá ver se nos entendemos – queque já é um nome estúpido o suficiente. Já soa como se algum burguês quisesse utilizar uma palavra inglesa para bolo, mas como cake é difícil de dizer, fica mesmo queque. Já agora fica a sugestão do aportuguesamento de muffin para mófim. Assim, até o meu avô pode começar a comer um mófim, quando estiver farto de queques.

“Ah, mas isso não são muffins, são cupcakes.”

É que nem comeces! Algum palhaço se lembrou de meter creme e purpurinas num queque e pronto – cupcake. Como se alguém assasse mesmo os bolos em chávenas! Cup em inglês, é chávena, caso não tenhas percebido a piada. Foi uma piada de merda, eu sei. Queres piadas de qualidade, começa a ler o blogue de algum comediante, ou então compra o Correio da Manhã.

No Sábado houve uma parada gay aqui em Bergen. Havia malta com t-shirts que diziam:

Cupcakes are just gay muffins

Queques 0.1

Eu não sei muito bem no que é que esta frase ajuda na luta pelos direitos dos homossexuais, mas eu acredito que seja algo do género – um homem não deixa de ser um homem só por ser homossexual. Talvez seja só mesmo uma piada e eu acabei de inventar esta metáfora, mas eu gosto de encontrar lógica em tudo.

Bom, mas percebeste o que eu quero dizer ou não?

UM CUPCAKE É SÓ A MERDA DE UM QUEQUE COM CREME EM CIMA!

Ingredientes:

Bolo:

Húmidos:

6 Cenouras médias
10 Tâmaras
2 Colheres de Sopa de Óleo de Coco
2 Colheres de Chá de Sumo de Limão
2 Colheres de Sopa de Sementes de Linhaça moídas
1 Colher de Sopa de Sementes de Chia
1/8 de Chávena de Açúcar Demerara
1/2 Chávena de Puré de Maçã (Applesauce)
Gengibre Fresco (a gosto)
1/2 Chávena de Leite vegetal

Secos:

1/2 Chávena de Farinha de Trigo Sarraceno
1/2 Chávena de Farinha de Amêndoa (ou amêndoa moída)
1/2 + 1/4 Chávenas de Farinha de Aveia (ou aveia moída)
1/4 de Chávena de Fécula de Batata
1 Colher de Chá de Fermento Químico
1 Colher de Chá de Bicarbonato de Sódio
1/8 de Chávena de Açúcar Demerara (em pó)
1/3 de Chávena de Uvas-passas
1/3 de Chávena de Barberries ou Bagas Goji
1 Colher de Chá de Canela moída
1/2 Colher de Chá de Gengibre em pó
Pitada de Noz-moscada
Pitada de Cardamomo
Pitada de Flor-de-sal

Cobertura:

3/4 de Chávena de Caju (demolhado)
3 Colheres de Sopa de Água
2 Colheres de Chá de Sumo de Limão
2 Colheres de Sopa de Xarope de Tâmaras ou de Ácer
Raspas de Laranja

Instruções:

Bolo:

  • Liga o forno a 180ºC;
  • Começa por ralar as cenouras;
    • Nós ralámos 3 cenouras no ralador fino e outras 3 no ralador grosso;
  • Aproveita e rala também o gengibre;
  • Numa taça grande, junta as sementes de chia, linhaça e açúcar demerara;
    • Sim, estes ingredientes não estavam na secção dos húmidos por acaso;
  • Esmaga as tâmaras junto;

Queques 1

  • Junta também o sumo de limão, óleo de coco, cenoura ralada, gengibre ralado (ou picado), puré de maçã e leite vegetal;
    • Mistura tudo bem, até obteres uma pasta;

Queques 2

  • Numa taça à parte, junta a farinha de trigo sarraceno, farinha de aveia, farinha de amêndoa e fécula de batata;
    • Podes fazer a farinha de aveia e farinha de amêndoa no processador ou moínho de café;
    • Não tritures a amêndoa demasiado, ou vai-se tornar manteiga;
  • Se tens um moínho de café, tritura também o açúcar demerara, para obteres açúcar em pó;
  • Junta o fermento químico, bicarbonato de sódio, açúcar, condimentos e sal à mistura de farinhas;
    • Mistura tudo bem;
  • Passa esta mistura por um coador de rede, ou um peneiro de rede não muito fina e junta-a à mistura de húmidos;
  • Envolve as uvas-passas e as barberries;

Queques 3

  • Verte o preparado em formas de queque de silicone e leva ao forno, durante cerca de 45 minutos/1 hora;

Queques 4.1

Cobertura:

  • Junta os cajus (previamente demolhados), raspas de laranja, água, sumo de limão e xarope de tâmaras no copo do processador;
    • Tritura tudo até obteres uma mistura homogénea e cremosa;

Queques 4

Resto da Cena:

  • Deixa os queques arrefecerem completamente e cobre-os com o creme;
  • Decora com umas raspas de laranja;
  • Livra-te de os chamares de cupcakes;

Queques 5

Queques 8

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Queques 6

Breakdown Calórico:

(Por Queque = 1/11 da Receita)

Azul – 58% Hidratos

Vermelho – 35% Gordura

Verde – 7% Proteína


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Bolo Húmido de Alfarroba de Laranja

Bolo Húmido de Alfarroba e Laranja

Alfarroba 1

Eu não sei de onde é que tu és, mas sei que muito provavelmente não vais concordar com o que vai ser dito no próximo parágrafo.

As melhores laranjas são do Algarve.

Muitos aromas e sabores fazem-me lembrar a minha terra, mas poucos ingredientes representam melhor o sul de Portugal do que a laranja.

Laranja é uma das minhas frutas preferidas. Mesmo vivendo na Noruega, onde praticamente toda a fruta é horrível (sim, amigos noruegueses, é verdade), sou um consumidor regular de laranja. Infelizmente, como praticamente toda a fruta na Noruega, é importada, normalmente da África do Sul ou do norte de Espanha. E como quase toda a fruta importada, é horrível. É lógico que isto pouco tem a ver com o país de origem, mas com o simples facto de ser colhida verde para ser vendida.

Cada vez que vou a casa e provo uma laranja, é como se me lembrasse novamente do verdadeiro sabor da fruta. “Ah, é verdade, laranja sabe a isto!”.

A minha região tem muitos produtos fantásticos, nomeadamente TODA a fruta. Mas alguns dos meus preferidos são, indubitavelmente, laranja, alfarroba, amêndoa e figo.

Comida de burro

Quando andava na escola primária, tinha um colega cujo avô era agricultor e um grande produtor de alfarroba, entre outras coisas. Sei disso porque ele nos dizia. Mas, eu não fazia ideia do que era alfarroba. Ele dizia-nos que o avô dele dava aos burros, para comer.

Eu não provei alfarroba até entrar para a escola de hotelaria.

Infelizmente, tal como muitos outros produtos da região, não é assim tão popular. A maior parte da produção é para exportação e a falta de popularidade faz com que seja mais caro do que devia. Felizmente isto parece estar a mudar. Actualmente acho que já um produto mais conhecido entre os portugueses e cada vez tem um lugar mais presente na gastronomia.

Aqui na Noruega, é um produto muito pouco conhecido. A maior parte das pessoas que conheço, nunca ouviu falar.

Sabores do Algarve

Quando andei na escola de hotelaria, tornei-me fã destes produtos regionais. Num exame de cozinha, até fiz um queijo de figo com amêndoa, medronho e alfarroba (tudo algarvio), acompanhado de papo de anjo de laranja algarvia e gelado de medronho e mel. Sim, muito fashion. E óptimo para a saúde, se andares a planear morrer de ataque cardíaco.

Ingredientes:

Secos:

2 Colheres de Sopa de Sementes de Linhaça moídas
1 Colher de Sopa de Sementes de Chia
1 Chávena de Farinha de Grão (Besan/Gram Flour)
1 Chávena de Farinha de Aveia (aveia moída)
1/2 Chávena de Farinha de Alfarroba
1/4 de Chávena de Açúcar Demerara
1 Colher de Chá de Fermento Químico (Royal)
1.5 Colheres de Chá de Bicarbonato de Sódio
1/2 Chávena de Amêndoas torradas

Húmidos:

6-8 Tâmaras (demolhadas)
1+1/3 de Chávenas de Sumo de Laranja
1 Colher de Sopa de Azeite
1 Colher de Sopa de Compota de Figo ou Laranja
Raspa de Laranja

Cobertura:

1/2 Chávena de Água
3 Tâmaras (demolhadas)
3 Colheres de Sopa de Farinha de Alfarroba
1/4 de Chávena de Sumo de Laranja
1 Colher de Sopa de Compota de Figo ou Laranja
1/3 de Chávena de Manteiga de Amêndoa (ou amêndoa moída)

Instruções:

  • Liga o forno a 180ºC;
  • Se não tens farinha de aveia, podes começar por fazê-la;
    • Eu costumo triturar a aveia no moínho do café, mas também podes fazê-lo no processador ou na liquidificadora (caso tenhas uma potente);
  • Numa tigela grande, mistura a farinha de aveia, farinha de grão, farinha de alfarroba, fermento e bicarbonato;

Alfarroba 2

  • De seguida, aproveita que acabaste de utilizar o moínho do café e pulveriza o açúcar demerara;
    • Também tens a opção de utilizar aquela Bimby que tens guardada no armário (aquela que não custou 1000€ porque compraste em promoção, mas ainda estás a pagar os juros porque compraste a crédito);

Alfarroba 3

  • Pica as amêndoas torradas com uma faca;

Alfarroba 4

  • Lava uma laranja ou duas e raspa-lhes a casca, com um coiso daqueles para raspar cascas… aqueles que também dão para ralar cenouras… tu sabes;
  • Espreme o sumo das laranjas;
    • Não te vou dizer quantas laranjas precisas, porque as laranjas não têm todas a mesma quantidade de sumo. Em vez disso, precisas da quantidade de sumo que indiquei ali em cima, nos ingredientes. Eu sei, sou um génio;
  • Numa tigela à parte, esmaga as tâmaras (sem caroço) com um garfo e mistura com as sementes de chia e linhaça, o azeite, o sumo de laranja e a compota;
    • Eu utilizei uma compota de figo natural, feita unicamente com figo, sumo de maçã e sumo de limão;
    • Podes utilizar compota caseira ou outra qualquer que te agrade;

Alfarroba 5

Alfarroba 6

  • Passa a mistura de farinhas por um passador de rede não muito fino e incorpora-a, pouco a pouco, na mistura líquida;
  • Por fim, envolve as amêndoas torradas e as raspas de laranja;
    • Eu guardei um pouco de amêndoa e raspas para enfeitar o bolo, mas não é necessário;

Alfarroba 7

  • Entretanto, podes ir tratando da cobertura;
  • Agarra nos ingredientes todos que diz ali em cima, e atira com eles para dentro da liquidificadora;
  • Tritura até obteres um creme;

Alfarroba 8

  • Verte o preparado para uma forma de bolo que te agrade;
    • Podes utilizar uma forma de bolo inglês ou uma forma redonda;
    • Eu utilizei uma springform (uma espécie de tarteira), mas forrei-a com papel vegetal, porque tive medo que o bolo fosse difícil de desenformar;
    • Se não utilizares uma forma de silicone, aconselho-te também a utilizar papel vegetal, pois o bolo fica bastante húmido;
  • Leva o bolo ao forno, a 180ºC, durante cerca de 1 hora;
  • Deixa o bolo arrefecer, antes de o desenformares;
  • Cobre-o com o creme de alfarroba, raspas de laranja e amêndoa torrada;

Alfarroba 9

  • Alegria é um pedaço de bolo;

Alfarroba 10

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Alfarroba 11

Breakdown Calórico:

(1 Serviço = 1/8 da Receita)

Azul – 52% Hidratos

Vermelho – 38% Gordura

Verde – 10% Proteína


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Bolo de Maçã e Melaço

Bolo Sem Glúten de Maçã e Melaço de Cana

Se és leitor habitual, sabes que adoro bolos de fruta. Especialmente os de fruta cristalizada. O meu bolo preferido é bolo-rei, só por aí consegues perceber o meu gosto peculiar.

Eu sou um gajo que nunca gostou muito de fast-food. Acredites ou não, tenho a certeza de que os meus 20 dedos chegam para contar todas as vezes que comi num McDonald’s. E dessas menos de 20 vezes, provavelmente os meus 10 dedos das mãos chegam para contar as vezes que comi hambúrgueres. Eu era normalmente o gajo que pedia um McFlurry ou uma tarte de maçã, só para acompanhar os outros.

Tarte de Tatin

Eu adoro tartes de maçã. Aliás, qualquer tipo de bolo de maçã. Mas só depois de ter entrado para a escola de hotelaria, é que percebi que as tartes de maçã do McDonald’s eram horríveis. Nada bate um bom bolo de maçã caseiro. Especialmente uma tarte de tatin com massa folhada. Apesar de tarte de tatin ser um nome estúpido, como, aliás, é qualquer nome de origem francesa.

Quando ia comer a casa de amigos e pediam-me para fazer sobremesas, fazia quase sempre tartes de tatin de maçã ou banana. Toda a gente adorava e ficava impressionado com as minhas skills. Mas na verdade, eu só caramelizava uns pedaços de maçã ou banana. A massa folhada e o gelado comprava já feitos. Deves mesmo de achar que eu ia perder uma tarde a fazer massa folhada e gelado caseiros para um monte de bêbados. Agora que eu penso nisso, é praticamente isso que fazes, quando trabalhas como cozinheiro.

Sou um idiota

Quando fiz o meu primeiro estágio de cozinha, no Pestana Palace, em Lisboa, comecei na pastelaria.

No Pestana utilizavam uns fornos convectores enormes, em que cabiam uma espécie de carrinhos com tabuleiros lá dentro. Eu nunca tinha visto aquilo na minha vida. No meu primeiro dia de estágio, numa curva, cruzo-me com uma pasteleira, a empurrar um desses carrinhos. Cavalheiro que sou, ajudei a rapariga a manobrar o carro. O que eu não sabia é que o carro tinha acabado de sair de dentro do forno. Queimei as duas mãos.

A piscina do Pestana tinha lugar no antigo lago do palácio e, por esse motivo, chamavam ao bar da piscina de Casa do Lago. Todas as manhãs servia-se um bolo diferente no bar. Numa manhã, coube-me a mim preparar uma tarte de maçã para servir. Quando a tarte estava pronta e devidamente protegida, meti-me a caminho da Casa do Lago. A meio do caminho, escorreguei e espatifei-me no meio do chão. Eu e a tarte de maçã.

Foi assim, a minha primeira semana de estágio.

Ingredientes:

Secos:

1/2 Chávena de Farinha de Trigo Sarraceno
1/2 Chávena de Farinha de Amêndoa
3/4 Chávena de Farinha de Aveia
1/4 Chávena de Fécula de Batata
1 Colher de Chá de Fermento Químico
1 Colher de Chá de Bicarbonato de Sódio
1/4 Colher de Chá de Sal
1/4 Chávena de Açúcar Demerara ou de Coco
1 Colher de Sopa de Canela
1 Colher de Sopa de Sementes de Chia
2 Colheres de Sopa de Sementes de Linhaça moídas
Pitada de Noz-moscada, Cardamomo, Gengibre e Cravinho em Pó

Húmidos:

10 Tâmaras
2 Colheres de Sopa de Óleo de Coco
1 Colher de Chá de Sumo de Limão
1/2 Chávena de Puré de Maçã
1/2 Chávena de Leite vegetal
1 ou 2 Colheres de Sopa de Melaço de Cana

Bolo 1

Instruções:

  • Se não tens farinha de amêndoa nem de aveia, podes começar por triturar as amêndoas e a aveia num moinho de café, ou no processador, até obteres uma farinha grossa;
    • Se triturares as amêndoas demasiado, vais ficar com manteiga de amêndoa, ao invés de farinha;

Bolo 2

  • Aproveita que estás aí todo coiso e tritura também o açúcar no moinho de café;
    • Sim, estou mesmo a falar a sério – tritura o açúcar até ficar tipo açúcar em pó;
    • Atenção que tens de utilizar açúcar demerara daquele solto, não é aquele todo empapado;

Bolo 3

  • Numa tigela grande, mistura todos os ingredientes secos, à excepção das sementes de chia e linhaça;

Bolo 4

  • Lava a maçã (sim, a comida lava-se, antes de comer) e corta-a em quartos;
    • Corta 3/4 em cubos;
    • Corta 1/4 em lâminas, para ornamentação;

Bolo 5

  • Remove os caroços às tâmaras;
    • Se estiveres a utilizar tâmaras menos suculentas, aconselho a deixá-las de molho, em água morna, durante cerca de uma ou duas horas;
  • Esmaga as tâmaras com um garfo;
  • Junta os restantes ingredientes húmidos e as sementes de chia e linhaça;
    • É boa ideia aquecer o óleo de coco no micro-ondas, antes de juntar, para facilitar a incorporação;

Bolo 6

  • Mistura tudo bem;

Bolo 7

  • Junta a maçã em cubos;

Bolo 8

  • Passa a mistura de farinhas por um coador de rede, ou por um peneiro não muito fino;
  • Vai envolvendo a mistura de farinha nos líquidos, pouco a pouco;
  • Transfere o conteúdo da tigela para uma forma de bolo inglês;
    • Eu aconselho a utilização de uma forma de silicone, pois não requer utilização de gordura;
    • Caso utilizes uma forma de metal ou descartável, aconselho a untá-la com óleo de coco e um pouco de farinha;
  • Cobre o bolo com o melaço de cana e ornamenta-o com a maçã laminada;

Bolo 9

  • Leva ao forno, a 180ºC, durante cerca de 1 hora;
  • Deixa o bolo arrefecer completamente, antes de o removeres da forma e cortares em fatias;
  • Enfarda, mesmo assim, à bruta;

Bolo 10

Bolo 11

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Bolo 12

Breakdown Calórico:

(1 Serviço = 1/15 da Receita)

Azul – 56% Hidratos

Vermelho – 36% Gordura

Verde – 8% Proteína

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Panquecas simples

Panquecas simples

Levei muitos anos para entender a diferença entre panquecas e crepes. Eu sei que agora panquecas são moda e todo o miúdo de 13 ou 14 anos sabe o que isso é. Mas há 16 ou 17 anos atrás, se eu pedisse panquecas para o pequeno-almoço à minha mãe, ela tinha de ir procurar a receita nas revistas TeleCulinária e provavelmente eu ia acabar por comer pão torrado e galão, de qualquer forma. Isto se eu soubesse o que eram panquecas com 13 anos, porque eu não faço ideia de quando ouvi falar disso. Com 13 anos estava mais preocupado em jogar ao espeta, que na minha terra chama-se espita e jogava-se com uma chave de fendas enferrujada, que também era útil para ameaçar os colegas e roubar-lhes o dinheiro do almoço no intervalo. Panquecas devia de ser coisa de filmes americanos.

Panquecas de Domingo

A última receita de panquecas que publiquei aqui no blogue, já tem mais de 1 ano e, na altura, chamei-as de panquecas de Domingo. Este nome super original, deveu-se ao facto de cá em casa ser hábito de comer panquecas ao Domingo. Mas alguns hábitos mudam e, agora, tornou-se hábito de comer panquecas ao Sábado de manhã. Não que isto faça alguma diferença, mas eu tenho que escrever alguma coisa nas publicações, para ocupar espaço e tal.

Panquecas de Sábado

Não foi por o ritual das panquecas ter passado para Sábado, mas a verdade é que ultimamente tenho feito uma receita de panquecas diferente da que tenho aqui no blogue. Não foi por inspiração, não, foi mesmo porque um dia não tinha os ingredientes que costumava utilizar e descobri que afinal até gosto mais destas panquecas do que das anteriores.

Além disso, esta receita, além de ser mais simples, é também mais saudável, já que as farinhas utilizadas são menos processadas.

Ingredientes:

1/2 Chávena de Farinha de Trigo Sarraceno
1/2 Chávena de Farinha de Aveia (aveia triturada)
1/2 Chávena de Puré de Maçã ou 1 Banana esmagada
1 Chávena de Leite Vegetal
2 Colheres de Sopa de Linhaça Moída
1/2 Colher de Chá de Fermento Químico
1/2 Colher de Chá de Bicarbonato de Sódio
1 Colher de Sopa de Vinagre de Maçã
Baunilha (opcional)
Cardamomo (opcional)
Açafrão-das-índias (opcional)
Canela (opcional)

Instruções:

  • Mistura a linhaça moída com 5 colheres de sopa de água quente e deixa repousar durante 10 minutos;
    • Se a mistura não formar uma gosma ao fim deste tempo, leva-a ao micro-ondas durante uns 15 segundos;

panquecas 1

  • Se quiseres fazer a tua própria farinha de aveia, basta triturar flocos de aveia no processador ou moínho;

panquecas 2

  • Mistura o puré de maçã (ou banana esmagada) com o leite, fermento químico, bicarbonato de sódio e as farinhas;
  • Por fim, junta a mistura de linhaça, o vinagre de maçã e os condimentos, caso queiras utilizá-los;

panquecas 3

  • Cozinha as tuas panquecas, numa frigideira antiaderente, em lume médio;
  • Deixa a frigideira aquecer bem antes de colocares a massa;
  • Deixar cozinhar bem, até deixar de formar bolhinhas, antes de virares;
  • Se a tua frigideira for boa, não vais precisar de utilizar qualquer gordura;
    • Lembra-te que se utilizares gordura, isso vai alterar o perfil nutricional da receita;

panquecas 4

panquecas 5

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panquecas 6

Breakdown Calórico:

(1 Serviço = 1/2 da receita)

Azul – 65% Hidratos

Vermelho – 21% Gordura

Verde – 14% Proteína

Nota:

  • Estes valores são, obviamente, referentes às panquecas, sem toppings;
  • Comer panquecas não engorda mais do que comer bananas, desde que a receita seja a correcta e a escolha dos toppings seja a acertada;

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